O TEU #NASCIMENTO
15 de Fevereiro de 2018, 8h00, Hospital Fernando Fonseca.
E lá estávamos nós filha, prontas para nos conhecermos uma à outra. Na sala de espera estava o teu pai e a tua madrinha, ansiosos por te ver também.
Como foi cesariana, o pai não pode assistir, então a mãe teve de entrar sozinha… aliás, à 9 meses que em nenhum dia eu estive sozinha. Estivemos sempre as duas juntas, sempre.
Lembro-me de estar sentada no cadeirão, a perna a tremer. Vem a enfermeira e dá-nos o fato XPTO para vestir, chinelos no pé…e eu cada vez mais nervosa e tu? Tu não te mexias…acho que também estavas nervosa, sim, porque vir conhecer este mundo não é NADA fácil.
Guiaram-nos para uma salinha, uma enfermeira estagiaria inglesa iria nos colocar o soro…lembro-me que ela também estava bem nervosa, acho que seria o primeiro parto que iria acompanhar. Picou-me tantas vezes que lhe perdi a conta, só pedia desculpa. E a mãe apesar de dorida já no braço, ainda se ria, e tentava a acalmar.
Chamaram o pai para me ir fazer um pouco de companhia, vinha tão nervoso que pensava que já tinhas nascido ahah, imagina só…ainda só tinham passado 30 minutos desde que entramos.
E depois de tudo feito, lá nos encaminharam para a sala de operação. Recordo-me tão bem dos meus passos lentos e tão gelada que eu estava… não comia desde a 00h da noite anterior mas se me perguntares se eu tinha fome naquele momento? Óbvio que não…nem eu…nem tu!
A sala era fria…grande, com uma maca no meio e com uns holofotes em cima. Meu pensamento: “Parece uma daquelas imagens dos filmes de terror!”… o que eu estava para ali a imaginar.
Sentei-me na maca, e a anestesista começou a dar a epidural, ligaram-me imensos fios e eu cada vez ia ficando mais nervosa. Deitei-me…de braços abertos e presos…esta foi a pior sensação que tive…não conseguir mexer os meus braços…pensei: “ como a vou agarrar assim? Eu quero pegar logo nela”… mal sabia eu, que nem me levantar iria conseguir.
Entraram na sala os nossos médicos. E acredita filha, os nervos eram apenas por todos aqueles fios e porque, claro, iria te ver pela primeira vez com todas as cores desta vida. Não estava nervosa pelos médicos ou enfermeiros que nos estavam a acompanhar, nada disso. Estava bem tranquila com eles. A Dra. Priscilla foi quem nos acompanhou a gravidez inteira, do inicio ao fim, e fez questão de ser ela ajudar a trazer-te ao mundo. Sabes que num hospital publico 99% das vezes isso não acontece. Só por este acompanhamento, a mãe já se sentia uma felizarda.
O Dr. Joaquim espetou a primeira “ faca?!” e a mãe sentiu…mas não gritei, estava tão gelada que nem isso eu consegui fazer, limitei-me a dizer: “eu estou a sentir, eu estou a sentir”. Lembro-me de ele dizer: “ ups, não estava a espera disto”.
A Anestesista, voltou a reforçar 1 e 2 vezes… e nada…a mãe sentia sempre que iam tentar cortar. Eu já estava a desesperar, a Dra. Disse que se à 3ª vez não pegasse, teriam de me por a dormir.
#DORMIR! NÃO, eu queria te ver assim que nascesses, eu queria te tocar logo, logo mesmo.
A dose que deram foi realmente, mais forte, acho que por breves momentos a mãe adormeceu e acordou exatamente, no momento em que os médicos diziam: “ Está quase, tão grandinha…e já está, já está cá fora”…
Meu deus! Onde estavas filha, eu ainda não te estava a ver. Estava tão anestesiada que a Dra. Virou-me a cabeça para te ver, lá ao fundo, enquanto as enfermeiras te limpavam, aspiravam e vestiam…
Não te ouvi a chorar e logo disse: “EU não a estou a ouvir a chorar, eu não a ouço”… acho que é inevitável não pensar logo, que a primeira coisa que tem de acontecer é um bebe chorar…mas foi só a mãe falar e lá estava o teu primeiro choro e era tão lindo, tão bom de ouvir.
O médico, estava ansioso por saber quanto pesavas… 4150kg!!! CERTINHO com o que ele tinha verificado na ecografia do dia anterior. Depois de te vestirem, encostaram-te a mim…
E eu cheirei-te pela primeira vez, beijei-te, e só dizia: “é tão gordinha, meu deus, é tão linda, tão perfeita”…e a escrever estas palavras escorrem-me as lágrimas, tal como naquele momento.
Uma das enfermeiras, até te tirou a primeira foto, tu sozinha e outra com a mãe e tão querida que foi que enviou logo para o papá e claro para a Enfermeira CátiaCátia, amiga da Tia Elisabete Cruz que nos ajudou e encaminhou muito bem, e a quem agradeço TODO o carinho.
E ali ficaste meu amor, junto à mãe. Se estava ensonada com a anestesia, aqueles breves momentos fizeram-me despertar LOGO! Ainda lembro, dos Médicos falarem da costura da mãe, e disserem que só tinha mesmo barriga por ti, porque assim que saíste..puff.. baixou tudo.
Mas eu não queria de todo saber se tinha ficado com barriga, se a cicatriz era grande…naquele momento só queria olhar para ti, beijar-te e beijar-te…tinha ali a minha vida e naquele momento eu percebi, que o meu mundo deixou de girar à volta do sol…passou a girar ao teu redor.
E lá estávamos nós no recobro e tu..já de mama à boquinha… tinha que te alimentar bem, aliás, tu nem davas hipóteses para que pudesse esquecer por um segundo de te dar a maminha. E entraram o teu pai e a tua madrinha…aquele momento, em que o teu pai te viu, foi mágico para mim…Ali estávamos tão felizes!
Agradeço à tua madrinha Adriano Vera por ter estado lá para nós as duas, por ser a irmã que nunca tive.
Tenho também agradecer a toda a equipa que nos acompanhou naquela manhã, foram incansáveis, e mostraram que sim, o nosso sistema de saúde, ainda tem EXCELENTES médicos, enfermeiros e auxiliares. Fizeram com que a nossa manhã fosse ainda mais calma, mais bonita, mas aconchegante…parecia que faziam parte da nossa família filha.
Obrigada:
Dra. Priscilla Marques
Dr. Joaquim
Anestesista Sónia
Enfermeiras: Alexandra; Carolina; Sofia; Dina e Eva
Passado 2 horinhas, subimos para o quarto…a aventura estava a começar. As visitas foram muitas, todos te queriam ver e a expressão era SEMPRE a mesma…”tão grande…tão gordinha”
Estava tão cansada, mas tão feliz. Ainda não sentia nada, não tinha ainda dores mas também ainda não me conseguia levantar.
Passado algum tempo, percebi então o que teria de enfrentar…o inicio filha, pareceu assustador…a mãe não se conseguia endireitar, não conseguia andar direita, levantar e deitar era um desespero. Mas, NUNCA, em momento algum, tornei isso um impedimento, para te carregar no meu colo, para me levantar e te pegar quando choravas ou simplesmente, apenas porque queria te ter ali mais junto a mim. E Acho que foi esta força de te querer, que fez com que as dores fossem diminuindo e tenha recuperador mais rápido que o normal.
No entanto… enquanto umas dores passavam, algo pior viria a surgir. Comias tanto filha, que não davas tempo suficiente, para que o peito produzisse mais leite… não aguentavas 20 minutos sem comer…o meu leite não estava a ser suficiente para ti. Pedia ajuda às enfermeiras do quarto…algumas muito prestáveis…outras, infelizmente, não estavam na profissão certa… o peito começou a inchar muito, cada vez mais duro, a tua sucção causava-me dores horríveis…comecei a sangrar… queria te alimentar, e não estava a conseguir.
Assim que saímos do hospital, e regressámos a casa, comecei a dar-te leite em pó…estavas com tanta fominha filha ☹. Consolei-me a ver-te deliciar o leite até ao fim e a dormires um sono descansado, como já 2 dias não acontecia.
Percebi que eu precisava de estar a 100% contigo e que não era menos mãe por não te alimentar com o peito. Dirigi-me à médica de família e ela ficou em pânico com o meu estado, eu só chorava com dores, tinha febre, não conseguia estar bem.
Punha-me de baixo de água quente de 10 em 10 minutos.
Secámos o leite…Não houve outra hipótese e sinceramente, filha…a mãe também não queria ter outra hipótese.
Não me sentia mais nem menos mãe por isso. Decidi em prol de ti, do teu bem estar e do meu. Tínhamos passado 9 meses muito turbulentos, não iria permitir que isso se repetisse. Queria estar bem, saudável e feliz ao teu lado. Por isso filha…nunca permitas que te digam que és menos do que alguém, só porque tomaste outras decisões em prol do teu bem estar e do próximo. Se acreditas e confias que é o melhor…vai em frente!
A mãe e o Pai, estarão SEMPRE aqui, para te apoiar

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